Leitura e produção de textos na escola

Na área de LINGUAGENS E CÓDIGOS no Enem estão destacadas as competências que dizem respeito a constituição de significados que serão de grande valia para a aquisição e formalização de todos os conteúdos curriculares, para a constituição da identidade e o exercício da cidadania. As escolas certamente identificarão nesta área as disciplinas, atividades e conteúdos relacionados às diferentes formas de expressão nas quais a língua portuguesa é imprescindível. Mas é importante destacar que o agrupamento das linguagens busca estabelecer correspondência não apenas entre as formas de comunicação – das quais as artes, as atividades físicas e a informática fazem parte inseparável – como evidenciar a importância de todas as linguagens enquanto constituintes dos conhecimentos e das identidades dos alunos, de modo a contemplar as possibilidades artísticas, lúdicas e motoras de conhecer o mundo. A utilização dos códigos que dão suporte às linguagens não visa apenas ao domínio técnico mas principalmente à competência de desempenho, ao saber usar as linguagens em diferentes situações ou contextos, considerando inclusive os interlocutores ou públicos. É assim que as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio tratam a questão.








Diante disso, nosso desafio é formar leitores atentos e competentes produtores de textos.
Sabemos que para compreender um texto, nós não apenas o lemos, no sentido estrito da palavra: nós construímos um significado para ele.

Ler não é um fenômeno idiossincrático, anárquico. Mas também não é um processo monolítico, unitário, no qual apenas um significado está correto. Ao contrário, trata-se de um processo generativo que reflete a tentativa disciplinada do leitor de construir um ou mais sentidos dentro das regras da linguagem.

(WITTROCK, Merlin C. Apud MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 54.)

A metáfora do hipertexto servirá como exemplo.
A partir de uma ideia, podem-se abrir muitas “janelas”; o sentido das escolhas pode depender do acaso ou de um interesse particular. No acaso, a possibilidade de atingir os objetivos desejados é externa à proposição individual. Quando há um interesse definido, o controle sobre para que e para onde se quer ir pertence àquele que sabe escolher.
Na vida, na produção do discurso, algo semelhante ocorre, são muitas as “janelas” a serem abertas para se escrever um texto, por exemplo. Se o aluno não aprender a abri-las, as chances de não se chegar a lugar nenhum ou de não atender aos objetivos propostos é grande.

(Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio: linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília: MEC/SEMTEC, 1999. p. 22-3.)

Há, na vida de todo educador, uma pergunta que julgamos vital – O que queremos que nosso aluno domine ao final do Ensino Médio?, logo seguida de outra, não menos importante: O que faremos e como faremos para que nosso aluno atinja este objetivo?

Acreditamos que, no caso específico das aulas de Língua Portuguesa, todo professor se daria por feliz e realizado se seus alunos, ao concluir o Ensino Médio, fossem leitores atentos e competentes produtores de texto.

Por leitor atento entendemos aquele aluno capaz de estabelecer diálogos entre textos e de perceber as diferentes relações sintáticas e semânticas (de causa e efeito, de oposição, de concessão, de condição etc.) e a natureza do texto (irônico, metafórico, satírico, filosófico etc).

Por competente produtor de texto entendemos aquele aluno capaz de elaborar um texto adequado às mais diversas situações da vida cotidiana: uma carta, um relatório, uma exposição – oral ou escrita – de ideias etc (sem confundir essas situações práticas com a produção de um texto literário).

Considerando ainda que a produção de um texto é, em última análise, a expressão de uma ideia, procuramos trabalhar esses dois eixos: a ideia e a expressão.

Trabalhar a ideia é levar o aluno a pensar o mundo, a se posicionar diante dele e a assumir sua capacidade de transformá-lo. Para tanto, é preciso que ele faça uma leitura de mundo”. E qual é o método mais eficaz para trabalhar leitura de mundo? Lendo, lendo, lendo; refletindo, discutindo, formulando hipóteses. Percebendo, em cada texto, qual é a visão de mundo de seu autor. Ler muitos textos é acumular várias experiências, várias vivências. Só assim conseguimos formar nossa própria leitura de mundo. Temos para fazer perguntas”, já nos ensinava Franz Kafka.
Trabalhar a expressão é levar o aluno a perceber que a gramática sustenta o texto, organiza-o (notar, por exemplo, que a descrição se organiza a partir do predicado nominal; que a subordinação e a coordenação são diferentes maneiras de estruturar o texto etc). É, também, levá-lo a perceber os diferentes recursos expressivos: a denotação e a conotação, as funções da linguagem, a sonoridade das palavras, a linguagem figurada etc.

Com esse trabalho, entendemos que se pode afastar, o quanto possível, o acaso (ou a desorganização, ou o trabalho não centrado num interesse específico de dizer algo) da produção de textos e introduzir a possibilidade de escolha (dos recursos significativos, da organização textual, do tipo de texto). Conhecer os mecanismos comunicativos constitui certamente um forte instrumento para o trabalho consciente na produção de textos.

Expor o aluno a variados tipos de textos – ideias, situações, contextos e tempos diferentes dos seus -é proporcionar-lhe as “janelas” necessárias para se tornar um bom leitor e produtor de textos.

Dessa forma, podemos concluir que a leitura e a escrita são duas faces de uma mesma moeda: uma complementa a outra, uma não existe sem a outra.

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