A construção do parágrafo dissertativo

Já foi dito que, antes de redigir, é necessário planejar. E planejar envolve não só a seleção de ideias, mas a estruturação delas dentro de um texto, que será organizado em parágrafos. Portanto, é sobre essas unidades textuais (os parágrafos) que vamos falar agora.

De modo geral, um parágrafo-padrão está centrado numa ideia principal que, por sua vez, está circundada por ideias secundárias. Obviamente, dependendo do tema, do autor e do público a que se destina, podem-se encontrar as mais variadas estruturas de parágrafos. Essa concepção básica de parágrafo, no entanto, serve como modelo para nossas reflexões.







Observe este parágrafo, retirado do livro As formas do falso, de Walnice Nogueira Galvão (trata-se de um estudo sobre Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa):

Dá-se o nome de sertão a uma vasta e indefinida área do interior do Brasil, que abrange boa parte dos Estados de Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Maranhão, Goiás e Mato Grosso. É o núcleo central do país. Sua continuidade é dada mais pela forma econômica predominante, que é a pecuária extensiva, do que pelas características físicas, como tipo de solo, clima e vegetação. Embora uma das aparências do sertão possa ser radicalmente diferente de outra não muito distante – a caatinga seca ao lado de um luxuriante barranco de rio, o grande sertão rendilhado de suas veredas -, o conjunto delas forma o sertão, que não é uniforme, antes bastante diversificado.

GALVÃO, Walnice N. As formas do falso. São Paulo: Perspectiva, 1972. p. 25-6.

Desenvolvem-se, no parágrafo lido, uma ideia central: a caracterização do sertão e as ideias que gravitam em torno da ideia central: a localização geográfica, a economia predominante, as várias configurações do sertão, o conjunto formado.

Tomemos outro exemplo: a abertura do prefácio de Antônio Cândido para o volume 5 da série Para Gostar de Ler (Editora Ática):

A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor.

Analisando-se a estrutura desse parágrafo, percebe-se uma ideia central -a crônica não é um “gênero maior” -, colocada numa frase clara, concisa. Essa frase serve de introdução ao parágrafo, apresentando a ideia-núcleo que será desenvolvida adiante. A essa ideia-núcleo, que apresenta o parágrafo, convencionou-se chamar de tópico frasal.

Em outros exemplos, é possível encontrar o tópico frasal colocado em duas ou até em três frases. Um tópico frasal claro, objetivo, consistente é meio caminho andado para a obtenção de um parágrafo bem redigido.

Voltando ao texto de Antônio Cândido, percebe-se que, logo após o tópico frasal, há dois períodos que são uma argumentação do tópico frasal: a crônica não confere dimensão universal à literatura; um cronista não ganharia o Prêmio Nobel. Finalmente, observamos que o último período do texto constitui uma conclusão, retomando o tópico frasal – a crônica é um gênero menor. Observe o esquema do parágrafo:

imagem-construção-do-parágrafo

Em tempo e para matar a curiosidade. Antônio Cândido continua o texto afirmando: “‘Graças a Deus’ – seria o caso de dizer, porque sendo assim ela fica perto de nós”.

5 ideias sobre o tema redução da maioridade penal

Este artigo tem como objetivo sugerir algumas ideias para elaborar um texto argumentativo a respeito da redução da maioridade penal. Para isso, revisaremos as características da dissertação, leremos um pequeno texto sobre o assunto e depois levantaremos hipóteses de argumentos para elaborar uma dissertação que respeite os Direitos Humanos e tenha conteúdo crítico.

Relembrando, dissertação é um tipo de texto em que se desenvolve um tema, defendendo um ponto de vista sobre ele com argumentos convincentes.

Estrutura ortodoxa:

•   introdução
•   desenvolvimento
•   conclusão

Argumento: qualquer expediente linguístico empregado para defender uma ideia, um posicionamento, um ponto de vista. Visa a conferir um caráter de verdade ao que se afirma, a dar credibilidade ao enunciador e a convencer o interlocutor.

Exemplo:

Infância cercada

É incompreensível a proposta do deputado federal Alberto Fraga (PMDB-DF) de reduzir para 11 anos a maioridade penal no Brasil. É pouco provável que a Constituição Federal venha de fato a ser emendada para abrigar tal disposição, mas nunca é demais relembrar que existem princípios éticos e legais que não podem ser mudados ao sabor das circunstâncias e dos ânimos.
Pelo projeto de Fraga, crianças de mais de 11 anos que cometam crimes serão avaliadas por uma comissão de especialistas. Se concluírem que o jovem tinha consciência de seus atos, ele responderá como um adulto, sujeito a penas de até 30 anos de cadeia. Mecanismos semelhantes vigoram nos EUA e no Reino Unido, mas não há como comparar as realidades sociais dessas nações com a do Brasil.
Os problemas da proposta são múltiplos e de várias magnitudes. Em primeiro, atira por terra a noção, consagrada no Direito brasileiro, de que a criança é um ser em formação. A compreensão que ela pode ter de seus atos é mais limitada do que a de um adulto. Um jovem pode e deve ser punido pelo que faz de errado, mas a sanção deve ser extremamente comedida para preservar seu caráter educativo. Beira o ridículo imaginar algo de pedagógico no fato de uma criança ir para a cadeia aos 11 e de lá sair aos 41.
Outra falha grave é acreditar que uma comissão de psicólogos e psiquiatras pode determinar com segurança o nível de consciência de uma criança sobre as consequências de seus atos. Vale lembrar que mecanismo análogo relativo à determinação de insanidade constitui uma das zonas mais problemáticas tanto do direito quanto da psiquiatria.
Ninguém duvida de que os níveis de violência se tornaram alarmantes nem de que quadrilhas lançam mão de menores para cometer vários atos ilícitos, incluindo aí os assassinatos. É evidente, contudo, que esse é um problema de caráter social, que não será resolvido mandando crianças para o xadrez.

Editorial da Folha de S. Paulo, 13/12/2000.

Tema desenvolvido: redução da maioridade penal (para 11 anos).

Ponto de vista do enunciador: desfavorável à proposta de redução: “É incompreensível a proposta do deputado…’

Alguns argumentos:

  1. Princípios éticos não podem ser mudados ao sabor das circunstâncias e dos ânimos”.
  2. Lugares em que tais mecanismos vigoram apresentam realidades sociais diferentes da realidade brasileira.
  3. Segundo o Direito brasileiro, a criança é um ser em formação, portanto a penalidade deve ter caráter educativo.
  4. Descrença em psicólogos e psiquiatras avaliando o grau de insanidade de uma criança.
  5. A conclusão de que os problemas sociais não serão resolvidos prendendo crianças.

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Como fazer uma narração – Passo a passo

As férias acabando e você voltando às aulas. O professor de Português entra na sala e logo dia: vamos fazer uma redação sobre as férias. Acho que muitos aqui já passaram por uma situação como essa. Você e a folha em branco. Como começar? O que colocar? Como escolher o que você vai tirar se tanta coisa legal aconteceu. Escrever uma redação pode ser muito difícil para quem não sabe o caminho das pedras.

Existe diferença entre narrar e relatar?

Narrar é o mesmo que relatar? Se narrar é contar algo, é preciso levar em consideração que o homem sempre quis contar histórias. Tanto nas novelas televisivas quanto numa parede de pedra em Altamira existem fatos que o narrador quis legar para a futuridade. Num quadro, nas histórias em quadrinhos, numa fotografia familiar antiga, na letra de uma música, em uma simples piada, nas páginas policiais, lá está o legado humano: a história, uma história, a recriação de toda a realidade. A narrativa, como sempre falo para meus alunos, pressupõe suspende, tensão, desejo de saber o que virá adiante. Relatar é simplesmente elencar os acontecimentos sem a preocupação de prender o leitor ao enredo.

Como fazer um bom texto narrativo?

O ensaísta inglês Edmund Forster, teórico da literatura, em seu Aspectos do Romance, garante que narrar é uma atividade atávica, que todo homem é um guardador de histórias, um criador de narrativas. Quem nunca ouviu falar em Sherazade que conseguiu safar-se da morte por degolamento porque sabia contar lindas histórias e, assim, fez com que o sultão a livrasse da sentença que aplicava às outras mulheres do harém e, admirando-a, fez dela sua esposa? Quem nunca ouviu falar do Decameron, de Bocaccio, histórias contadas entre si por um grupo de jovens que se protegiam da peste, isolados num castelo, esperando que a praga passasse e pudessem voltar para seus pais?

Fonte: Portal do Ministério da Educação
Fonte: Portal do Ministério da Educação

Narrar é reinventar o mundo, é recriar a vida, é tentar ser uma espécie de Deus criador de destinos.

Toda narrativa pressupõe quatro elementos básicos: personagem, tempo, ação e espaço. Não existe narrativa sem esses quatro componentes. No próximo capítulo, vamos estudá-los um a um. Observe agora de que se compõe a estrutura narrativa.

A estrutura narrativa

Se tomarmos em consideração o romance, a novela ou o conto, o enredo terá de desenvolver-se da seguinte forma:

  • Sequência inicial (ou Exposição): É quando há uma multiplicidade de situações ainda não delineadas, criaturas que são vistas individualmente, ambientes que formam apenas um pano de fundo.
  • Desenvolvimento narrativo: Decorre do encadeamento de feitos, ações. Os “destinos” das personagens se entrelaçam, aproximando-as, distanciando-as: as complicações narrativas encadeiam-se lentamente, o leitor é levado a conhecer o que propõe o texto.
  • Desfecho ou desenlace: É a conclusão, o “arremate” do texto.  É o fim da narrativa.

É preciso entender que a tripartição acima pode ser alterada de acordo com a disposição que o narrador dá à temporalidade. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, por exemplo, a narrativa começa no ponto mais alto: o enterro do narrador, ponto de partida para que ele, “do outro lado da existência”, inicie a narração, voltando à sequência inicial através de “flash-backs”.

Exercício de análise de Tema de redação

Fazer exercícios de redação não é algo muito comum nas aulas de Português da maioria dos professores. Tem-se a falsa ideia de que redação é conhecer a técnica e torcer pro tema ser simples de trabalhar. Se não for simples, todos ficamos tristes, mas conformados. Afinal de contas, o tema é que era impossível. Bem, sua tarefa, agora, é interpretar o tema, elaborar uma tese e planejar a organização dos argumentos para cada uma das propostas apresentadas.

Leia o texto a seguir:

Texto I

Em uma passagem por São Paulo, o escritor Mia Couto brindou sua platéia com pérolas moçambicanas. O autor de O Outro Pé da Sereia observou que seus conterrâneos têm dificuldade para dizer não, como se a negação representasse uma forte desavença. Certa vez perguntou a um pescador se a maré estava a subir e colheu a seguinte evasiva: “Sim, está a subir, mas já começou a descer”. D’outra ocasião, exercia atividades de biólogo em uma praia e avistou um pássaro. Interessado, perguntou a um nativo próximo: “Qual o nome daquele pássaro?”, ao que o interlocutor respondeu: “A esse pássaro nós aqui chamamos de sapo”. Em um terceiro evento, perguntou a um produtor, beneficiado por uma determinada política pública, se sua vida havia melhorado, ao que o dito produtor retornou: “Está a melhorar a vida, mas está a melhorar muito mal”. Moçambique não tem apenas a língua e a colonização portuguesa em comum com Pindorama. Os habitantes daqui e d’acolá parecem intimidados pela possibilidade de terem de dizer não. Nos trópicos sul-americanos, como na África Austral, dizer não parece ser um convite ao constrangimento. Se não for acompanhada de mesuras e compensações, a temerária conduta poderá colocar em risco Mia Couto amizades e relações profissionais, ou despertar sentimentos de vingança. Qual é a raiz? A primeira hipótese, obviamente, é o passado colonial. Sociedades coloniais são assimétricas. Moçambique livrou-se do jugo há três décadas; Pindorama, há quase dois séculos, mas ainda não se emendou.
“O projeto estará pronto até o fim do mês?” “Certamente.” “O carro estará reparado até o fim da semana?” “Sim, sem sombra de dúvida.” Naturalmente, não se pode tomar tais respostas por seu valor de face. Tais respostas significam que, findo o prazo, os assuntos apenas começarão a ser considerados. A chance de os trabalhos serem terminados no momento prometido é, como se sabe, remota ou nula.

WOOD, Thomas Jr. A Terra do Não. Em Carta Capital, junho de 2006.

Texto II

Conte quantas vezes você fala “sim” e “não”. O sim é pouco usado. Pois as línguas já são naturalmente afirmativas. Mas a negação precisa ser explícita. O francês nega usando duas palavras — “ne pas”. O inglês pede ajuda a um verbo — “do not”. Quem fala, afirma. Se quiser soar democrático, usa os cansativos “na minha opinião” ou “eu acho que” para disfarçar o autoritarismo do discurso.

Jornalistas escondem a assertividade* implícita nas perguntas usando o “aí”. “O que o senhor tem a dizer aí sobre o mercado na semana passada?”. Como se a indicação de lugar-aí-abrisse várias possibilidades de resposta.

Há quem use o “pô” mal educado como vírgula ou pedido de desculpas, da mesma forma que alguns americanos usam o “you know”.

Não adianta — a língua revela despudoramente a pretensão de saber ou poder de quem fala Por outro lado, discursamos apenas sobre o que é discutível ou falso. “Eu sou honesto”. Na turbulência, a aeromoça afirma: “A situação é normal”. O evidente e o óbvio passam em silêncio.

SAYAD, João. Pas du tout, Folha de S. Paulo, 29/05/2006.

*assertividade = capacidade de dizer aquilo que se pensa, que se julga correto.

Com base na leitura dos textos apresentados, escreva um texto dissertativo que deverá ter como tema: Como conciliar, na vida profissional, assertividade e bom relacionamento?

Sua redação deverá ser escrita em prosa e obedecer aos padrões da norma culta do português do Brasil.

Para apoiar a discussão, a proposta apresentou dois textos em cujas ideias o candidato poderia se basear.

O texto I, de Thomas Wood, foi publicado pela revista Carta Capital e relatava uma observação feita pelo escritor moçambicano Mia Couto: o fato de habitantes dos trópicos sul-americanos e da África Austral sentirem-se intimidados pela possibilidade de terem de dizer não. Parece que o ato de dizer não, para essas pessoas, representa um convite ao constrangimento, que poderia colocar em risco amizades e relações profissionais, ou até mesmo, despertar sentimentos de vingança.

O texto II, de João Sayad, publicado pelo jornal Folha de São Paulo, tratava do fato de as línguas serem naturalmente afirmativas e, sendo assim, revelarem “despudoradamente” a pretensão de saber ou poder de quem fala.







Considerando essas reflexões, o candidato poderia questionar o fato de como a comunicação, no ambiente de trabalho, pode impactar no desempenho da empresa.

Em geral, na relação entre as diferentes hierarquias organizacionais é possível observar, entre outros, comportamentos de submissão e passividade, sem questionamento por parte do falante, quando se trata do funcionário, e agressividade ou inflexibilidade, quando se trata da chefia ou de superiores hierárquicos. As atitudes agressivas da chefia acabam sendo reforçados pelo comportamento passivo dos subordinados, que o fazem para evitar confronto direto com os superiores e possível perda de privilégios. O subordinado não questiona o chefe nem expõe suas ideias porque ele é avaliado por esse chefe. Ao não questionar, o funcionário pode estar favorecendo os comportamentos agressivos do chefe. O chefe, por sua vez, ao manter um bom relacionamento com o funcionário que não questiona e uma relação não tão boa com aquele que questiona, acaba expondo um modelo de interação social que prega a “passividade” ou o não questionamento. Assim, por uma questão cultural, comportamentos ditos assertivos não ocorrem no ambiente de trabalho devido a esse tipo de interação chefe-subordinado. Como consequência, os problemas dificilmente são superados.

Uma alternativa seria as pessoas aprenderem que expressar suas próprias opiniões e sentimentos de maneira direta, e em um tom moderado, olho no olho, pode representar uma resposta verbal sobre sentimentos ou opiniões de maneira respeitosa ao ouvinte.

Esse comportamento se opõe àquele classificado como agressivo, em que o funcionário se expressa de forma hostil, inflexível e em voz alta. Comportamentos assertivos, ao contrário, incluiriam a expressão dos sentimentos do falante de forma direta e clara, sem infringir os direitos dos outros.

Uma das atividades mais comuns em organizações de todos os portes é o trabalho em equipe. Durante esse tipo de atividade, funcionários precisam expor ideias, observações e apontar problemas para que tarefas sejam realizadas da melhor maneira possível, contribuindo para o bem estar da empresa. Os comportamentos assertivos mais diretamente relacionados à efetividade do trabalho em equipe incluem apontar erros/problemas, verbalizar soluções, e expressar e defender as próprias opiniões. Assim, faz-se necessário propor uma mudança cultural, em que deve estar clara a ligação entre essas mudanças propostas e as consequências que as mesmas trarão para a empresa. Ao treinar funcionários a serem mais assertivos quando se comunicam uns com os outros, por exemplo, é preciso garantir que os resultados obtidos com esse tipo de treinamento sejam relevantes para a organização, caso contrário tal treinamento acarretará perda de tempo e dinheiro.

Assim, no ambiente de trabalho são comuns as situações nas quais indivíduos precisam dar suas opiniões, fazer pedidos, e expressar seus pontos de vista. Parte do sucesso da empresa depende da forma como os funcionários se comunicam.

Para que o candidato entenda o tema de maneira plena, ele deve considerar que as palavras-chave são “assertividade” e “bom relacionamento”. Do mesmo modo, há que se perceber a limitação discursiva empreeendida pela expressão “vida profissional”, que impõe uma discussão centralizada somente nesse campo social. Entretanto, uma das estratégias a ser adotada pode ser o debate generalizado em torno de todos os relacionamentos interpessoais, comparadas ao convívio profissional. Além do mais, não se deve esquecer o fato de o tema ser construído a partir de uma pergunta. Respondê-la, então, é imprescindível para uma abordagem específica e correta da temática.

Todavia, para não tangenciar o tema, é importante que o aluno não se limite a responder apenas uma parte do questionamento proposto inicialmente. Assim, as respostas não devem se restringir a apenas um aspecto do tema, tal qual como falar de assertividade sem relacionar ao bom relacionamento interpessoal. Pelo contrário, ainda que seja necessária a restrição ao âmbito profissional, trabalhar com todas as possibilidades é fundamental para cumprir as expectativas da banca. Ademais, o importante no texto não é somente definir as palavras-chave, mas mostrar a conciliação proposta entre as mesmas.

Teses:

– Nem todo relacionamento é mantido por concessões, uma vez que é necessário reafirmar-se a partir de algumas negativas. Tratando-se de profissionalismo, essa premissa faz-se essencial para a manutenção da noção hierárquica pré-estabelecida.

– A assertividade, vista de uma maneira respeitosa, ajuda na construção de um bom relacionamento profissional na medida em que estabelece uma predisposição para aceitar as diferenças.

– O conceito de assertividade – capacidade de julgar-se correto – não pode ser visto como uma imposição, e sim um conciliação interpessoal para um bom convívio profissional.
Argumentos:

– Valores profissionais desenvolvidos à base de concessões têm como resultado direto um bom relacionamento interpessoal, na medida em que as prerrogativas de negação estabeleceram-se como um aspecto construtivo e não conflitante.

– No universo profissional, aceitar as diferenças é positivo, já que elas contribuem para a construção de um trabalho diversificado e pautado na união de valores e no bom convívio social.

– Julgar-se correto pode gerar conflitos interpessoais, já que, muita vezes, é uma forma de impor-se sobre a opinião alheia.

REDAÇÃO

Por um mundo mais justo

Diante do mundo conturbado que vivemos hoje em dia, podemos perceber que o ser humano tem a necessidade de julgar tudo a sua volta. É aí que entra o preconceito. Quais seriam as causas dessa postura? Por que o ser humano age desse jeito? O que leva o indivíduo a agir de forma preconceituosa?

Primeiramente, é uma questão de instinto humano. Um instinto de querer se agrupar e excluir o outro. Levando em consideração esse instinto, chegamos à conclusão de que todo homem é preconceituoso. Mas será que é só isso?

O homem também é preconceituoso porque, para se proteger, foge e discrimina aquilo que é diferente dele. Por exemplo, o sentimento de xenofobia. Quando um estrangeiro viaja para um território alheio, ele é tratado de maneira preconceituosa e intolerante. Isso, infelizmente, é uma realidade que acontece de forma frequente.

Conclui-se, então, que o preconceito existe por diversos motivos e deve ser combatido por trazer coisas negativas ao homem. Uma forma de amenizar esse problema seria conscientizando as crianças do ensino infantil. Só assim poderíamos viver em um mundo mais justo, sem ideias preconceituosas.

COMENTÁRIOS SOBRE A REDAÇÃO

Introdução

Diante do mundo conturbado que vivemos hoje em dia, podemos perceber que o ser humano tem a necessidade de julgar tudo a sua volta. É aí que entra o preconceito. Quais seriam as causas dessa postura? Por que o ser humano age desse jeito? O que leva a o indivíduo a agir de forma preconceituosa?

Comentário: No parágrafo introdutório, resolve-se começar com um adjunto adverbial temporal pouco esclarecedor e consistente, não sendo capaz de contextualizar de forma plena o assunto a ser abordado. A seleção lexical de “É aí” e “entra” está inapropriada, sendo marca do registro formal/oral da língua. Outro problema presente na introdução reside no excesso de questionamentos ao final do parágrafo. Além de haver muitas perguntas, todas elas significam a mesma coisa, tornando o parágrafo redundante.

Sugestão de reescritura

“Vais encontrar o mundo […] coragem para a luta”. A declaração do pai de Sérgio parecia preparar o filho aos desafios que estariam por vir. O Ateneu, colégio interno comandado pelo diretor Aristarco, pode estar associado, analogamente, à sociedade em que vivemos atualmente. A condição humana do menino Sérgio foi posta, por diversas vezes, em teste, assim como também nos ocorre. Até que ponto, portanto, a construção e a proliferação do preconceito estão associadas ao paralelo entre o micro e o macrocosmo?

Desenvolvimento 1

Primeiramente, é uma questão de instinto humano. Um instinto de querer se agrupar e excluir o outro. Levando em consideração esse instinto, chegamos à conclusão de que todo homem é preconceituoso. Mas será que é só isso? Comentário: O tópico frasal do primeiro parágrafo de desenvolvimento mostra-se precário e pouco desenvolvido ao longo do mesmo. A repetição da palavra “instinto” também prejudica o desenvolvimento textual. O uso da expressão “levando em consideração” não é recomendado em textos dissertativo-argumentativos, já que referências metalinguísticas (ao próprio texto) não são adequadas a essa tipologia textual. Além disso, o uso da conjunção adversativa “mas” no início da frase é proibido de acordo com a norma culta, servindo apenas para associar duas frases. O uso de perguntas retóricas também não é recomendado quando se está desenvolvendo um argumento. De maneira geral, o parágrafo não cumpriu sua função de convencer os leitores da opinião do autor.

Sugestão de reescritura

É inerente ao ser humano, em níveis distintos, ser preconceituoso. Deve-se tal pensamento à ocorrência de que todo homem, vivendo em sociedade, tem a necessidade de criar seus próprios padrões e regras sociais. O externo e o alheio a esse sistema interno são vistos de forma diferente. É a partir desse momento que surge o princípio do preconceito. Percebe-se, portanto, que o indivíduo cria um microcosmo próprio na tentativa de corresponder à sociedade, assim como o Ateneu a mesma.

Desenvolvimento 2

O homem também é preconceituoso porque, para se proteger, foge e discrimina aquilo que é diferente dele. Por exemplo, o sentimento de xenofobia. Quando um estrangeiro viaja para um território alheio, ele é tratado de maneira preconceituosa e intolerante. Isso, infelizmente, é uma realidade que acontece de forma frequente. Comentário: O segundo parágrafo de desenvolvimento já se inicia com uma falha de paralelismo, devendo ter começado por “Segundamente” ou “Em segundo lugar”. Perceba que o tópico frasal é muito limitado e quase não é explicado, sendo seguido por um exemplo que aumenta o caráter expositivo do parágrafo. O exemplo utilizado é muito previsível e pouco consistente no que tange ao poder de convencimento. O uso de “Ele é” generaliza e o uso de “infelizmente” marca uma opinião pessoal do autor, o que não é permitido em textos dissertativo-argumentativos.

Sugestão de reescritura

Entretanto, a correspondência do micro ao macrocosmo não ocorre de forma integral. A realidade minimizada pelo sistema interno próprio do indivíduo mostra-se limitada diante da vasta sociedade atual. As diferentes etnias, culturas e os diferentes gostos convivem no macrocosmo da atualidade. A instituição Ateneu, portanto, marcada por preconceito e intolerância é uma tentativa de autoproteção do homem diante da pluralidade existente. Estreitar laços de identificação social é uma forma de prevalecer socioculturalmente.

Conclusão

Conclui-se, então, que o preconceito existe por diversos motivos e deve ser combatido por trazer coisas negativas ao homem. Uma forma de amenizar esse problema seria conscientizando as crianças do ensino infantil. Só assim poderíamos viver em um mundo mais justo, sem ideias preconceituosas.

Comentário: Ao concluir um texto, o autor deve retomar a tese e elencar uma proposta prática de conscientização que promova a mudança da problemática apresentada – o que não acontece. Esqueceu-se que fazer referências metalinguísticas, como em “Conclui-se”, não é recomendado, além do uso de palavras abstratas, como “coisas”. Deve-se tomar cuidado também com a praticidade e objetividade da proposta de intervenção. No caso, apenas a conscientização não seria suficiente para mudar a situação-problema. Além disso, a última frase da conclusão é clichê e pouco convincente, concluindo o texto de forma precária.

Sugestão de reescritura

Percebe-se, por conseguinte, que, assim como na produção literária de Raul Pompeia devemos falir com os Ateneus criados pelo nosso imaginário, demolir e pôr em chamas qualquer tipo de preconceito – seja ele racial, étnico, social, religioso ou sexual. Para que o processo de formação do microcosmo humano seja amenizado, o governo poderia incentivar projetos na educação infantil que mostrem, na teoria e na prática, que aceitar o plural e o externo é vantajoso e saudável à integridade humana. O Ateneu, portanto, em chamas ao final da história, é a representação mimética de que qualquer tipo de intolerância está fadado ao desaparecimento.

COMENTÁRIO GERAL

O tema “Preconceito e intolerância no mundo de hoje” pode parecer fácil devido à enorme veiculação desse assunto em diversos meios midiáticos. Portanto, uma boa redação a respeito desse tema seria a que conseguisse problematizar tal questão, pensando em causas, consequências e conjunturas diversas. O primeiro passo, então, seria tornar a frase tema mais explorável criticamente, não apenas exposta de forma objetiva.

A proposta exige que o candidato construa um texto dissertativo-argumentativo que se estruture em introdução, desenvolvimento e conclusão. Os segundo e terceiro parágrafos do texto “Por um mundo mais justo”, embora tenha tópicos frasais iminentemente discutíveis, não foram desenvolvidos de maneira consistente e completa. Pelo contrário, limitaram-se a generalizar e a dar exemplos pouco esclarecedores. Analisando o título do texto, embora não seja uma exigência da banca, percebe-se uma construção muito clichê.

Quanto aos recursos utilizados para enriquecer a argumentação, estão a pergunta retórica e a exemplificação. Essas estratégias são, de fato, bem valorizadas pela banca do ENEM, já que demonstram a capacidade do aluno de criar mecanismos linguísticos válidos para a construção argumentativa, um dos critérios utilizados pela banca. O redator, porém, ao usar cada uma dessas estratégias, apresentou alguns problemas, como o excesso e a redundância de questionamentos na introdução, o uso de uma pergunta retórica no desenvolvimento, área do texto inapropriada para esse tipo de recurso e a utilização de um exemplo específico, pouco esclarecedor argumentativamente.

Levando em consideração a coesão e a coerência textuais, o redator do texto não soube organizar de forma clara e estruturada as ideias para a defesa do seu ponto de vista, tendo como marca frases muito soltas, pouco articuladas sintática e semanticamente.

Outros critérios cobrados pela banca do ENEM são a interdisciplinaridade – aplicar conceitos de outras áreas do desenvolvimento para desenvolver o tema – e a proposta de conscientização social – elaborar uma intervenção plausível para o problema abordado. O primeiro critério não foi utilizado no texto “Por um mundo melhor”, o que acarretaria a retirada de 200 pontos da nota final (valor do critério). A respeito da proposta de intervenção, percebe-se uma precariedade e ineficácia da mesma, mostrando-se abstrata, pouco clara e objetiva, quando deve ser exatamente o oposto. Em uma visão geral, o texto não possui falhas ortográficas e não traz grandes equívocos gramaticais.

UMA POSSÍVEL REDAÇÃO EXEMPLAR

Ateneus em chamas

“Vais encontrar o mundo […] coragem para a luta”. A declaração do pai de Sérgio parecia preparar o filho aos desafios que estariam por vir. O Ateneu, colégio interno comandado pelo diretor Aristarco, pode estar associado, analogamente, à sociedade em que vivemos atualmente. A condição humana do menino Sérgio foi posta, por diversas vezes, em teste, assim como também nos ocorre. Até que ponto, portanto, a construção e a proliferação do preconceito estão associadas ao paralelo entre o micro e o macrocosmo?

É inerente ao ser humano, em níveis distintos, ser preconceituoso. Deve-se tal pensamento à ocorrência de que todo homem, vivendo em sociedade, tem a necessidade de criar seus próprios padrões e regras sociais. O externo e o alheio a esse sistema interno são vistos de forma diferente. É a partir desse momento que surge o princípio do preconceito. Percebe-se, portanto, que o indivíduo cria um microcosmo próprio na tentativa de corresponder à sociedade, assim como o Ateneu a mesma.

Entretanto, a correspondência do micro ao macrocosmo não ocorre de forma integral. A realidade minimizada pelo sistema interno próprio do indivíduo mostra-se limitada diante da vasta sociedade atual. As diferentes etnias, culturas e os diferentes gostos convivem no macrocosmo da atualidade. A instituição Ateneu, portanto, marcada por preconceito e intolerância é uma tentativa de autoproteção do homem diante da pluralidade existente. Estreitar laços de identificação social é uma forma de prevalecer socioculturalmente.

Percebe-se, por conseguinte, que, assim como na produção literária de Raul Pompeia devemos falir com os Ateneus criados pelo nosso imaginário, demolir e pôr em chamas qualquer tipo de preconceito – seja ele racial, étnico, social, religioso ou sexual. Para que o processo de formação do microcosmo humano seja amenizado, o governo poderia incentivar projetos na educação infantil que mostrem, na teoria e na prática, que aceitar o plural e o externo é vantajoso e saudável à integridade humana. O Ateneu, portanto, em chamas ao final da história, é a representação mimética de que qualquer tipo de intolerância está fadado ao desaparecimento.