Como fazer uma redação nota 1000 no Enem

Dissertação é um texto que se caracteriza pela defesa de uma ideia, de um ponto de vista ou pelo questionamento acerca de um determinado assunto. Em geral, para se obter maior clareza na exposição de um ponto de vista, costuma-se distribuir a matéria em três partes:

  • introdução – em que se apresenta a ideia ou ponto de vista que será defendido;
  • desenvolvimento ou argumentação – em que se desenvolve o ponto de vista para tentar convencer o leitor; para isso, deve-se usar uma sólida argumentação, citar exemplos, recorrer a opiniões de especialistas, fornecer dados etc.
  • conclusão – em que se dá um fecho ao texto, coerente com o desenvolvimento, com os argumentos apresentados.

O ponto de vista na dissertação

Afirmamos anteriormente que os textos argumentativos/dissertativos caracterizam-se pela defesa de uma tese, de um ponto de vista.

Ponto de vista é o ângulo pelo qual alguém considera um assunto, a maneira pela qual aborda o tema, relata um fato, descreve algo. Como você pode notar por essa definição, a presença do ponto de vista não é característica exclusiva de textos argumentativos. Textos narrativos e descritivos também o apresentam. A diferença é que em textos argumentativos o ponto de vista vem sempre explicitado.

Num texto argumentativo sobre, por exemplo, a restrição à propaganda de cigarros ou de bebidas alcoólicas, podemos nos posicionar contrariamente a ela ou a favor dela, ou seja, nossa argumentação partirá de um ponto de vista que temos formado sobre o tema, que poderá ser abordado de vários ângulos: o político, o econômico, o social, o jurídico, o da saúde pública.

É importante assinalar que a explicitação de um ponto de vista é decorrente da compreensão que temos do assunto, e esta é construída a partir de nossa vivência em sociedade, de experiências, informações, enfim, de nossa “leitura” de mundo. Em outras palavras: o ponto de vista não é algo que se forma independentemente das condições sociais, econômicas, culturais que nos cercam. Na verdade, ele se constitui a partir dessas condições. Isso explica por que as pessoas têm pontos de vista diferentes sobre um mesmo tema.

Uma última e importante observação: na produção de textos escolares, inclusive em exames, o que é avaliado nos textos argumentativos/dissertativos não é o ponto de vista defendido, mas a coerência argumentativa (além, é claro, de itens como coesão textual, adequação ao tema proposto e correção gramatical). Por isso, não tenha receio de se expor, mesmo sabendo que seu ponto de vista não coincide com o de seu (sua) professor(a) ou com o do examinador. Em outras palavras: o que não se pode fazer em textos desse tipo é “ficar em cima do muro”.

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Planejando a dissertação

Quando queremos ir a algum lugar a que nunca fomos, costumamos, mesmo que só mentalmente, estabelecer um roteiro. Se optarmos por ir de ônibus, procuraremos saber que linha tomar, em que ponto descer etc. Se resolvermos ir de automóvel, não será diferente.

Sem esse roteiro prévio, corremos o risco de ficar rodando à toa e não chegar ao destino e, caso tenhamos a sorte de chegar, teremos perdido muito tempo nessa tarefa.

A elaboração de um texto, principalmente dissertativo-argumentativo, não é diferente: se não tivermos um plano ou um roteiro previamente preparados, correremos o risco de ficar dando voltas em torno do tema, sem chegar a lugar algum. Por isso, antes de escrever seu texto é preciso planejá-lo bem, procurando elaborar um esquema.

O esquema-padrão da dissertação

Inicialmente, é preciso não confundir esquema com rascunho.

É importante atentar para um fato: cada texto dissertativo-argumentativo, dependendo do tema e da argumentação, pede um esquema. Um texto argumentativo subjetivo, por exemplo, permite a quem vai redigi-lo utilizar certos recursos que seriam descabidos num texto argumentativo objetivo.

Esquema, portanto, é um guia no qual colocamos, em frases sucintas (ou mesmo em simples palavras), o roteiro a ser seguido para a elaboração do texto. No rascunho, damos forma ao texto; é nessa etapa que começamos a desenvolver as ideias do esquema.

Por ser o esquema um roteiro a ser seguido, convém dividi-lo nas partes de que se compõe o texto. Se vamos escrever uma dissertação, o esquema já deverá apresentar as três partes de que se compõe: introdução, desenvolvimento e conclusão, que, no esquema, podem vir representadas pelas letras a, b e c, respectivamente.

A letra a, você deverá colocar a tese que vai defender; na letra b, palavras que resumam os argumentos que você apresentará para sustentar a tese e, na letra c, uma palavra que represente a conclusão a ser dada.

Ao elaborar o esquema do desenvolvimento, é comum surgirem inúmeras ideias. Registre-as todas, mesmo que você não as utilize de imediato. Essas ideias normalmente vêm de forma caótica; por isso, mais tarde é preciso ordená-las, selecionando-as por ordem de importância. A esse processo dá-se o nome de hierarquização de ideias.

A redação subjetiva: os temas subjetivos

Existem algumas abordagens na elaboração da redação, bem como existem alguns temas específicos, especiais na feitura, que nos levam a observar um direcionamento não apenas argumentativo nos textos produzidos. Mais do que um simples conjunto de dados, ali encontramos um conjunto mais abrangente: a discussão reflexiva, de caráter subjetivo, um tom que revela, antes, um modo de estar no mundo, uma maneira de encarar os fatos e a existência. Leia o  trecho abaixo. É um fragmento de música do Edu Lobo e Chico Buarque:

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão

Edu Lobo e Chico Buarque, Choro Bandido

No fragmento, a abordagem do tema é “diferente”, metafórica. Ali, fala-se das “janelas do vestido”, “falar grego com sua imaginação”, fugir “por labirintos e alçapões”… linguagem que nos seduz porque se distancia da realidade de dados e cifras e repetições de fatos.







Por esse caminho vai nossa redação subjetiva: podemos até escrever sobre fatos muito novos ou sociais como, por exemplo, o terror e as guerras.
Observe o texto abaixo: é uma redação nota 10 da Fuvest, cujo tema era este.

Texto I:

Texto nota 10, Fuvest – Redação

“Um dia sim, outro também. Duas bombas, suásticas nazistas e muitas mensagens pregando a tolerância zero a negros, judeus, homossexuais e nordestinos marcaram a Semana da Pátria em São Paulo. O primeiro petardo foi direcionado na segunda-feira 4, para o coordenador da Anistia Internacional. Tratava-se de uma bomba caseira, postada numa agência dos Correios de Pinheiros com endereço certo: a casa do coordenador. Uma hora e meia depois, foi a vez de o secretário de Segurança e de os presidentes das comissões Municipal e Estadual de Direitos Humanos receberem cartas ameaçadoras. Assinando “Nós os skinheads “(cabeça raspada), os autores abusaram da linguagem chula, do ódio e da intolerância. “Vamos destruir todos os viados, pretos e nordestinos “, prometeram. Eles asseguravam também já terem escolhido os representantes daqueles que não se enquadram no que chamam de “raça pura” para receberem “alguns presentinhos “. Como prometeram, era só o começo. No dia seguinte, terça-feira 5, o mesmo grupo mandou outra bomba, dessa vez para a associação da Parada do Orgulho Gay “.

Isto é, 08/09/2000

Desde então [os anos 80], o poder racista alastrou-se por todo o mundo numa torrente de excessos sanguinolentos. Também na Alemanha, imigrantes e refugiados foram mortos friamente por maltas de radicais de direita em atentados incendiários. Até hoje, a esfera pública minimiza tais crimes como obra de uns poucos jovens desclassificados. Na verdade, porém, o poder racista à solta nas ruas é o prenúncio de uma reviravolta nas condições atmosféricas mundiais.

Robert Kuiz

Um dos eventos realizados no final de abril deste ano no Chile foi uma conferência internacional secreta de militantes extremistas de direita e organizações neonazistas planejada e divulgada pela Internet. Foram convidados a participar do “Primeiro Encontro Ideológico Internacional de Nacionalismo e Socialismo ” representantes do Brasil, Uruguai, Argentina, Venezuela e Estados Unidos.

Isto é, 08/09/2000

(…) Nos últimos anos, grupos neonazistas têm se multiplicado. Tanto nos Estados Unidos e na Europa quanto aqui parece existir uma relação entre o desemprego estrutural do sistema capitalista e a ascensão desses grupos de inspiração neonazista.

Página da Internet

Toda proclamação contra o fascismo que se abstenha de tocar nas relações sociais de que ele resulta como uma necessidade natural, é desprovida de sinceridade.

Bertolt Brecht

Considerar alguém como culpado, porque pertence a uma coletividade à qual ele não “escolheu “pertencer, não é característica própria só do racismo. Todo nacionalismo mais intenso, e até mesmo qualquer bairrismo, consideram sempre os outros (certos outros) como culpados por serem o que são, por pertencerem a uma coletividade à qual não escolheram pertencer. (…)

Cornelius Castoriadis

“A violência é base da educação de cada um “

Resposta de um cidadão anónimo entrevistado pela TV sobre razões da violência

Estes textos (adaptados das fontes citadas) apresentam notícias sobre o crescimento do neonazismo e do neofascismo e, também, alguns pontos de vista sobre o sentido desse fenômeno. Com base nesses textos e em outras informações e reflexões, um aluno escreveu este texto que coloco abaixo. ele foi considerado como um texto nota 10 na Fuvest.

→ Veja aqui uma forma de aprender a fazer textos excelentes

Texto nota 10, Fuvest

Diferença – antídoto do extremismo

“Não bastasse todo espetáculo de carnificina encerrado no palco do século XX nos seusAtos de Ia e 2a Guerras mundiais, do Holocausto dos Judeus, do “Apartheid” na África do Sul, da perseguição dos curdos no Oriente e de outros sem-número de odes à estupidez e ignorância humanas, adentramos em um novo século e novo milénio prontos para a readaptação de tais peças horrendas, dignas do Teatro Romano apresentado no Coliseu.
Mais uma vez na História recente, parecemos alunos que teimam em não querer aprender a lição cuja não compreensão já nos causou tanto sofrimento e infortúnio.
O renascimento sombrio das ideologias neonazistas de Adolf Hitler, de seu putrefato conceito de “raça-pura”, nacionalismo exacerbado vêm-nos mostrar que as revoluções teóricas e científicas e as irresistíveis ondas de modernidade globalizante não são suficientes para produzirmos um alicerçado conceito de solidariedade suprarracial e internacional. Não, não antes de uma Revolução das Mentes, na nossa forma particular de encararmos as diferenças do outro.
Neste cenário, de nada nos ajuda o apelo à “tolerância “, conforme as palavras de José Saramago, pois ela expressa mais uma ideia de superioridade, de aceitação do próximo apesar de suas diferenças. Nem tolerância, nem intolerância. Apenas o reconhecimento simples e natural de que a diferença sempre estará lá, assim como as necessidades biológicas de respirar, comer, beber água…
O verdadeiro antídoto para o extremismo baseia-se num olhar mais crítico sobre nós mesmos, no despojamento de nossas mais íntimas pretensões de um “Destino Manifesto ” para nós e a compreensão que a diferença é que realmente faz a diferença “.

Observe a diferença da abordagem num texto convencional, que discuta a questão do ponto de vista apenas prático. O enfoque tece considerações sobre a existência do homem, classificado como “aluno que não quer aprender a lição”. Cita, o texto, José Saramago e direciona-se integralmente para uma visão mais reflexiva do assunto.

Quanto vale uma abordagem dessa forma?

Mais ou menos que um texto convencional?

Claro que ambos valem a mesma coisa, se bem escritos. Ocorre que um texto filosófico, especulativo, chama muito mais a atenção do corretor porque sai do que é praticidade e acaba dando chance de aparecer um outro dado sobre quem está sendo julgado (no caso, você): o que se pensa como ser, o que se conclui como humano, o que se pretende e se julga sobre os fatos e a realidade da existência.

E você? Tem dificuldade com algum tipo de tema?

Fale aí nos comentários qual é o assunto ou forma de texto mais difícil para você.

Modelo de redação reflexivo-filosófica nota 10

Um dos tipos de texto dissertativo bastante comum em vestibulares como o da Fuvest é aquele que aborda de forma filosófica o tema. Neste artigo quero compartilhar um modelo de redação acima da média. Na verdade é uma redação que foi considerada nota 10 no vestibular da Fuvest. Leia-a.

Tema da Dissertação

“— Não é preciso zangar-se. Todos nós temos as nossas opiniões.
– Sem dúvida. Mas é tolice querer uma pessoa ter opinião sobre assunto que desconhece.
(…) Que diabo! Eu nunca andei discutindo gramática. Mas as coisas da minha fazenda julgo que devo saber. E era bom que não me viessem dar lições. Vocês me fazem perder a paciência.”

Foi perguntado aos vestibulandos se eles tinham opiniões sobre as afirmações acima? Se tivessem, deveriam defende-las. Se não, deveriam explicar o por quê.

Texto nota 10, Fuvest

Opinar é humano

“Para discutir um assunto, não é necessário conhecê-lo a fundo, é preciso apenas ter pontos de vista bem definidos, e bons argumentos para defendê-los.
Sem dúvida, há temas que exigem algum conhecimento técnico, uma certa experiência na área em que o assunto é centrado. Mas, de maneira geral, as experiências de vida podem fazer com que a pessoa em questão emita opiniões sensatas. Ter uma certa cultura geral, sem se fechar em determinados focos de atenção, também possibilita a sensatez nas opiniões.
Tomemos, como exemplo, o trabalho de um arquiteto. Ao projetar uma casa, ele está aplicando toda a bagagem técnica adquirida na faculdade. No entanto, uma pessoa que não seja formada em Arquitetura, mas que tenha senso estético, pode muito bem ter opiniões coerentes e úteis a respeito do projeto.
É nesse sentido que entra o aspecto da cultura geral. Para poder ter pontos de vista definidos, deve-se ter uma visão ampla de mundo, adquirida com a cultura. Não estou mencionando a cultura acadêmica, dos livros, mas aquela que se adquire da observação da vida, e que é a mais importante para a sobrevivência. Uma pessoa experiente sempre conhece um pouco de cada assunto, mesmo que seja apenas na sua forma mais abrangente.
E, ao emitir seus pontos de vista, possibilitando o surgimento de um debate, ela abre oportunidades para aprender novas coisas, aumentando, desse modo, seus conhecimentos.”

Quer aprender a fazer um texto acima da média também?

Como é que se começa uma dissertação?

Muitas vezes já nós perguntamos isso. Quantas vezes! Geralmente, dois impasses são os mais evidentes ao se escrever: começar e terminar uma redação; além disso, é claro, outros: pôr título, argumentar em três ou quatro parágrafos…

A tese (parágrafo introdutório ou parágrafo inicial) pode ser obtida através de alguns procedimentos: para tanto, são usadas definições simples, afirmações, citações, sequências interrogativas, comparações de características históricas, sociais ou geográficas.

Para se elaborar a tese, deve-se ter preocupação fundamental com o tema oferecido, levando-se em conta que o parágrafo introdutório é o norteador de toda a estrutura dissertativa, aquele que carrega uma ideia nuclear a ser utilizada de maneira pertinente em todo o desenvolvimento do texto.

Podemos iniciar nossa dissertação usando os seguintes tipos de tese:

Tipos de tese

1. Conceituando algo

É a forma mais comum de começar. Exemplo:

“Violência é toda ação marginal que nos atinge de maneira irreversível: um tiro que se nos é dado, um assalto sem que esperemos, nosso amigo ou conhecido que perde a vida inesperadamente através de ações inomináveis…”

2.  Apresentando dados estatísticos

“Hoje, nas grandes cidades brasileiras, não existe sequer um indivíduo que não tenha sido vítima de violência: 48% das pessoas já foram molestadas, 31% tiveram algum bem pessoal furtado, 15% já se defrontaram com um assaltante dentro de casa, 2% presenciaram assalto a ônibus…”

Este tipo de tese não é aconselhável se não se  mesclar a direcionamento argumentativo.

3.  Fazendo uso de linguagem metafórica

Esta tese é utilizada basicamente em redações dissertativas de cunho reflexivo:

“Sorteio de vagas na educação… triste Brasil! Tristes e desamparadas criaturas que transformam-se em números sem particularidade individual e acabam, como num bingo do analfabetismo, preenchendo carteiras da ignorância. Triste Brasil que em vez de fazer florescer intelectos, faz gerar o desconsolo e o descontentamento, impede o progresso intelectual e faz ressaltar a maior das misérias: a marginalidade que se cria fora do saber.”

4.  Narrando acontecimentos, ações

Narrando, não se espante! Bem conduzida, esta sequência integra apenas o parágrafo introdutório.

Cuidado! Não se desvie da dissertação introduzida dessa forma. O perigo é, sob pressão, continuar a narração.

“Durante nove meses, agentes do serviço secreto da presidência da República realizaram gravações clandestinas na rede de telefones usada pelas diretorias do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no centro do Rio de Janeiro. Por mais de 30 semanas, os espiões da Abin, Agência Brasileira de Inteligência, gravaram conversas do presidente Fernando Henrique Cardoso, de ministros, dirigentes estatais e empresários. Depois se soube: a divulgação parcial dessas fitas detonou uma crise política e acabou na demissão do então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros.”

Os outros parágrafos são dissertativos. Sob pena de tirar zero, não continue narrando!

5. Apresentando uma interrogação

É comum o aluno dirigir-se ao professor indagando se este tipo de introdução não empobrece a dissertação do vestibular. Não se for bem conduzida:

a) em primeiro lugar, na hora do “branco”, é sempre melhor começar interrogando que não começar;

b) em segundo lugar, tome cuidado com o número de interrogações: todas deverão ser respondidas por você nos parágrafos argumentativos pois, afinal, é você quem estará opinando e não deve esperar respostas de ninguém, muito menos de seu corretor.

“Seu bombril é da Bombril? E a gilete é da Gillette? De tão conhecidas, estas marcas viraram nomes de produtos e foram incorporadas aos dicionários de português como se fossem substantivos comuns.”

“É verdade que, depois da porta arrombada, uma tranca é sempre nela colocada? Foi pensando assim que o governo nomeou, na última semana, a procuradora aposentada Anadyr de Mendonça Rodrigues para comandar a Corregedoria Geral da União, que tem status de ministério porque visa à apuração de todas as irregularidades cometidas no país.”

Você gostou dessas formas de introdução?

Quer aprender a fazer o texto inteiro e ter suas redação corrigidas?

Como fazer um parágrafo argumentativo

Em uma dissertação, os parágrafos mediais compreendem o que chamamos de argumentos; eles são, comparando a redação dissertativa a um corpo humano, uma grande “barriga” que abrigará em seu bojo exemplos, aproximações, justificativas e evidências, e que propiciará o “nascimento” de um bom texto.

É preciso, no entanto, saber usá-los bem, evitando, assim, os defeitos de argumentação que tornam o texto frágil; portanto, nada de noções confusas de caráter amplo e vago, afirmações genéricas, uso de conceitos que se contradizem ou instauração de falsos pressupostos. Além disso, bana de sua dissertação gírias, clichés, lugares comuns, além do emprego de circularidade.

Tome-se aqui a palavra circularidade a repetição exaustiva dos mesmos exemplos, críticas e pontos de vista no eixo de um só texto. É defeito grave na construção dos parágrafos argumentativos porque é agente empobrecedor de argumentação. Girar ao redor de um falso eixo de argumentos, repetir o que já foi dito é, certamente, uma articulação perigosa de ideias, se é que isso possa ser chamado de “articulação de ideias”. À circularidade, dá-se um nome muito conhecido: “operação enche-linguiça…”

→ Você pode aprender a fazer o texto por inteiro. Agora. Aqui!

Observe bem o seguinte texto:

Texto I

Ensinar o século 21

(Tese) A “crise da educação”, espectro que assombra quase todos os países, não pode ser resolvida dentro das salas de aula. Nem mesmo se houver um computador e uma conexão com a Internet em cada uma delas.

(Argumentação) Um dos objetivos primordiais da educação é o de simular, na classe, a vida real dos alunos do futuro. É por isso que se estabeleceu um sistema de educação compulsória1 para a massa quando a Revolução Industrial convocou trabalhadores para as fábricas com produção em massa e os escritórios fundados sobre o mesmo modelo. Gerações e gerações de estudantes foram enviadas à linha de produção das escolas, onde realizaram trabalho rotineiro e repetitivo ao longo de anos, e então foram submetidas a testes-padrão, como produtos recém-saídos das correias.
Hoje, em todo o mundo – até mesmo nos países “high tech ” -, centenas de milhões de crianças ainda são submetidas a esse regime obsoleto, que simula um futuro que muitas delas jamais experimentarão.
Para simular a realidade com que se depararão as crianças, a educação em si mesma tem de se transformar em uma atividade na qual a hora e o lugar não tenham importância. E isso significa que muita coisa deve acontecer fora, e não dentro, das salas de aula.
Uma educação que prepare as crianças para o século 21 deve combinar cinco elementos.
Primeiro, a informática; “o computador na sala de aula” é o mantra da moda, deve-se aproveitar as vantagens do potencial do PC ligado à Internet, embora muitos professores saibam menos sobre computadores que os alunos. Segundo, a mídia: os meios de comunicação não podem ser ignorados pelos professores: o mundo é feito de mensagens; terceiro, os pais. O comportamento deles é sempre indicativo de como estar no mundo e, muitos deles são ausentes em tudo, senão alienados intelectuais. .0 quarto elemento é a comunidade: ela é responsável por fiscalizar as escolas, torná-las um universo melhor, onde realmente se ensine para o futuro e, por fim, o quinto: professores. Devem ser o máximo possível disponíveis, bem informados, acessíveis, atualizados; sobretudo, devem comprometer-se com o futuro, habilitar seus alunos ao pensamento crítico e lógico, melhorara cada instante seu intelecto e o dos homens do futuro.

(Fecho) Projeto utópico? Não, se considerarmos que o mundo caminha para a redescoberta dos verdadeiros valores. E um valor verdadeiro é, sobretudo, aquele que não se pode, numa sociedade pasteurizada, retirar dos indivíduos: os atributos do saber, o bom desempenho pelo intelecto, a conquista através da competência.

Alvin e Feidi Tofíler, Folha de S. Paulo

Como você pode perceber, embora seja um texto de jornal e tenha sofrido alterações mínimas ao ser adaptado, organiza-se sob a forma de dissertação (tese, argumentação e fecho). Os argumentos são claros e indicam 5 saídas básicas para a crise na educação. Tais argumentos, de forma numerada, vão sendo desenvolvidos e formam um todo argumentativo, sem circularidades, lacunas, interrupções de raciocínio.

Mas, as perguntas são sempre as mesmas: como argumentar? De que forma sequenciar esses argumentos? Há alguma maneira de tentar organizá-los metodicamente? Tomemos como exemplo o tema educação. É possível argumentar por:

1.  Exemplificação simples:

Exposição de dados conhecidos, divulgados pelos meios de comunicação:

“A presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), Maria Helena Guimarães de Castro, calcula em 7 milhões os casos mais graves, nos quais o atraso escolar é de duas séries ou mais.”

Folha de S. Paulo

2.  Argumentação histórica, fazendo trajetórias comparativas (sócio-político-culturais ou geográficas):

“O número de anos que um trabalhador coreano gastou estudando antes de obter um emprego chega a ser o dobro do tempo passado na escola por um empregado brasileiro. Essa diferença na qualificação da mão-de-obra faz a diferença…”

Folha de S. Paulo

3.  Hipótese:

“Nesse ritmo, e com o decréscimo do número de jovens em idade escolar nas próximas gerações, será mais difícil para o Brasil aumentar sensivelmente a escolaridade de sua força de trabalho e, assim, conseguir competir em pé de igualdade com seus concorrentes comerciais da Ásia, por exemplo.”

Folha de S. Paulo

4.  Interrogação, questionamento, reflexão:

“O que aconteceu historicamente? O que aconteceu socialmente? Desvalorizados no salário, desvalorizados no status, o próprio recrutamento desses professores passou a ser feito entre aqueles que tiveram acesso aos cursos de pior qualidade.”

Prof. Malta Campos, Folha de S.Paulo

5.  Definição (abrir uma gama de definições encadeadas):

“Municipalização no ensino é quando o governo do Estado transfere para as prefeituras a responsabilidade de gerir escolas; para tanto, é preciso transferir recursos, treinar pessoal técnico-administrativos e conseguir apoio da comunidade para o desenvolvimento integral dos alunos.”

Folha de S. Paulo

6.  Constatação (cuidado com os truísmos):

“É -muito diferente a possibilidade de municipalização (da educação) em município rico, em município pobre, em município grande, em município pequeno.”

Folha de S. Paulo

7.   Questionamento (refutação) de valores, juízos e conceitos):

“Não adianta, por exemplo, pôr muito dinheiro nas escolas sem equacionar a formação dos professores – o problema central do ensino brasileiro; também não adianta ter políticas públicas que não levem em conta as diferenças regionais.”

Folha de S. Paulo

8.  Perspectiva (antecipações eventuais de resultados):

“Vejo quatro pontos fundamentais para melhorar a qualidade da escola. O primeiro é a busca da melhoria permanente de professores, o segundo é a direção da escola, o terceiro é autonomia da escola, o último é a autoavaliação. Caso as instituições se dignem a, insistentemente, serem seus próprios juízes, julgadores, teremos em meados do século XXI uma escola de verdade.”

Folha de S. Paulo

9.  Oferecimento de dados estatísticos:

“De cada 1.000 alunos que se matriculam na primeira série de uma escola pública, apenas 43 se formarão dentro do tempo mínimo de 8 anos. Em média, os que conseguirão chegar ao final do curso demorarão 12 anos para obter seu diploma.”

Folha de S. Paulo

10.  Causa-consequência:

“A situação do Sul hoje é melhor do que a do Sudeste porque existe uma cultura de valorização da escola por parte da população que, inclusive, permeia e pressiona os governantes. Essa cultura não existe em outras regiões.”

Folha de S. Paulo

Fazer uma redação não é apenas isso. Quer aprender a fazer um texto nota 1000?

Análise de tema de redação da VUNESP

Depois das últimas leituras aqui no site nas quais falamos a respeito da construção do texto dissertativo, seus constituintes e de analisar alguns textos que falam sobre o processo de construção da dissertação no Enem, chegamos a um artigo com uma análise de tema de redação proposta pela VUNESP. Leia-a e, em seguida pratique muito para chegar afiado no vestibular e Enem.

Como eu disse, vamos demonstrar esse processo analisando a proposta de redação do vestibular da Vunesp em 2001.

Algumas pessoas dizem que os exames vestibulares são injustos e que não medem com precisão o conhecimento dos candidatos. Outras afirmam o contrário: os exames vestibulares das principais universidades do país são, no momento, os mais adequados instrumentos de avaliação e de seleção dos candidatos.
Alguns políticos sugerem que o acesso às universidades seja feito por análise de currículo, isto é, do rendimento do candidato ao longo da Escola Fundamental e Média. Outros, julgando que isso beneficiaria os alunos de escolas particulares, pleiteiam reserva de 30, 40 ou até 50 por cento de vagas nas universidades públicas para alunos das escolas públicas, único modo de evitar a injustiça social; mas há quem afirme que tal reserva também seria uma forma de injustiça, pois não premiaria o mérito, o esforço e o conhecimento dos estudantes e, além disso, esconderia o verdadeiro problema, que é a baixa qualidade do ensino nas escolas públicas.
O Enem — Exame Nacional do Ensino Médio, que busca verificar, por meio de uma redação e de 63 questões de múltipla escolha, se o estudante assumiu determinadas habilidades e competências durante o Ensino Médio, é por vezes apresentado como um possível substituto dos exames vestibulares.
Alguns professores, todavia, não concordam com essa ideia, por entender que o Exame Nacional não verifica o que é, de fato, ensinado, e que as questões de múltipla escolha não são o melhor instrumento de avaliação. Lembram também que um só exame para selecionar os vestibulandos de todo o País seria operacionalmente inviável e sujeito a erros e distorções.
Já houve quem sugerisse, na década de 70, que as universidades públicas efetuas-sem um sorteio de suas vagas, como forma de atingir todos os estratos sociais; já se sugeriu, também, que as universidades deveriam unificar seus exames vestibulares, pois isto pouparia esforços e gastos dos candidatos e de suas famílias, mas alguns analistas lembraram que tal unificação prejudicaria a liberdade dos candidatos de optar e concorrer apenas aos cursos e vagas das universidades que preferissem.
As fundações e comissões elaboradoras e aplicadoras de exames vestibulares das universidades públicas, por outro lado, declaram que incentivam permanentemente estudos e pesquisas, cujo resultado tem sido o aperfeiçoamento progressivo de suas provas como instrumentos de avaliação e de seleção.
Enquanto professores, educadores, especialistas, jornalistas, diretores de escolas e de cursos pré-vestibulares, reitores e autoridades educacionais sempre são consultados a respeito de tais temas e continuam alimentando a polemica, só raramente se pergunta a um dos maiores interessados na questão, que é o próprio candidato. Neste ano, marcado por reflexões sobre os principais problemas brasileiros, é bastante oportuno perguntar a você, vestibulando, o que pensa dos exames vestibulares e dos diferentes modos propostos ou já tentados para substituí-los. Seria para melhor? Para pior? Dever-se-ia acabar com os vestibulares ou aperfeiçoá-los? Você vê outras soluções para este problema, que tem mais de 80 anos?

Releia com atenção esse texto e, a seguir, escreva uma redação, de gênero dissertativo, sobre o tema:

Os exames vestibulares e o acesso à universidade.

Como você pôde observar, na proposição, a Vunesp reproduziu argumentos variados – tanto de educadores e comissões elaboradoras de vestibulares como de políticos, jornalistas e demais pessoas envolvidas com a questão. Em todos os casos, procurou alinhar posições que refletem diferentes pontos de vista. No fim, pede a palavra do vestibulando, o seu posicionamento.

Após ler e reler os vários argumentos, o vestibulando deveria assumir uma posição, defendendo este ou aquele processo de avaliação que daria acesso à universidade (essa seria a sua tese). Para tanto, ele utilizaria a base de alguns argumentos citados e lançaria algum argumento novo (o que constituiria o desenvolvimento de seu texto). Finalmente, fecharia o texto com uma conclusão coerente com sua tese e que estaria sustentada pelos argumentos apresentados.

Nesse caso, em que vários argumentos (e alguns contra-argumentos) podem ser apresentados, a elaboração de um esquema torna-se imprescindível.